O Igarapé Simaúma

Nós, Agentes Agroflorestais Quilombolas, vemos a diminuição das águas dos Igarapés e dos rios onde antes havia água muito abundante.

“…O Simaúma é denominado satuba porque nunca seca. A água brota naturalmente, não sendo necessário cavar. O Simaúma desemboca no igarapé Pacová. Antigamente, este satuba “dava muito peixe”. Os peixes eram salgados e duravam muitos dias. Hoje em dia o peixe “ficou pouco” devido à barreira de concreto construída pela Cia. Vale. Os peixes não têm mais como transpô-la e, atualmente, “só se pega peixe quando o inverno é muito grande”. Antigamente, tirava-se água pra beber mas, com a construção dos poços cacimbões, seus poços foram abandonados. Foi feito um açude lateral pra lavar roupa. Houve uma diminuição das águas pois não se tem limpado muito. No verão o açude é abandonado e volta-se a lavar na cabeceira do Simaúma…” (LUCCHESI, Fernanda. Cap IV – Caderno de fotos e documentos do Relatório. INCRA, 2008)

Fizemos esse vídeo mostrando o Igarapé Simaúma na época das chuvas, em janeiro, pois durante o inverno ele fica quase seco e é muito preocupante. Nossa vida espiritual depende do Igarapé e da Matinha sagrada, a floresta depende de suas águas, que hoje está pouca.

Com 1 km de extensão, neste trecho, nós queremos enriquecer a mata com árvores nativas para restaurar a água, possibilitando que mais água da chuva infiltre no solo e alimente o Simaúma. Também, as obras da Rodovia BR-135 que cortaram o território, prejudicaram muito a alimentação das nascentes dos rios.

Queremos resgatar a histórica ligação com o Satuba que é uma área florestal dentro do Quilombo que tem uma simbologia transcendental, histórica, cultural, social, religiosa e econômica para anciãs e anciões, mulheres e homens, jovens e crianças. Trazendo assim um elo entre o antigo e o novo, o homem e todo o ambiente, o plantio e a colheita . Tudo isso agregado e somando valores culturais sustentáveis a partir da nossa própria construção histórica de ligação, tanto pela terra quanto por seu uso dentro de nossos saberes ancestrais.

IMG_0074

Somos os jovens e as mulheres; jovens na perspectiva de trazer o mistério, sabedoria, costumes, trejeitos e respeito para com a mata que os anciãos tem e que nossos povos antigos tinham, as mulheres por serem maioria na comunidade e por trazerem consigo a atenção e cuidado como quem tem da mãe com o filho, isso chama-se do “bem cuidar” que seria repassado da atenção e carinho que o nosso Satuba merece. O objetivo é trabalhar a agrofloresta em outros locais, e ao mesmo tempo preservar, trazer e deixar renovado o Satuba que nos servirá de fonte de renda, e que ao mesmo tempo será feita a preservação da mesma.

Foto da barragem feita pela companhia mineradora Vale SA (Vale do Rio Doce) no Simaúma, a jusante de onde gravamos o vídeo. Essa intervenção gerou impactos imensuráveis nos cursos d’água, interrompendo os veios d’água e impedindo os peixes de subirem para desovar.

Simaumabarragem

Esta foto abaixo aparece no Relatório Técnico de Identificação e Delimitação de Santa Rosa feito pela equipe do INCRA em 2008, onde o Simaúma era um pouco mais fundo, e hoje, em 2017, ele está muito mais raso, o que é muito preocupante.

simauma

Aqui o Igarapé Bananeira, que já foi farto e hoje está seco pelos impactos advindos das intervenções:

Bananeira

Veja também a página da Justiça nos Trilhos, que é parceira da comunidade, e fala muito sobre o histórico de lutas com os impactos advindos das intervenções da empresa Vale S.A. no território:

http://justicanostrilhos.org/2014/10/22/quilombo-santa-rosa-dos-pretos-ma/

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